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Por que a Igreja celebra o Mês Vocacional em agosto?

  • Foto do escritor: Santuário Senhor dos Passos
    Santuário Senhor dos Passos
  • há 22 minutos
  • 7 min de leitura

Um tempo para reconhecer que toda vida é chamada por Deus

Durante o mês de agosto, a Igreja no Brasil dedica atenção especial à oração, à reflexão e à promoção das diversas vocações. Conhecido como Mês Vocacional, esse período convida cada cristão a compreender que a vocação não é uma realidade reservada apenas aos padres, religiosos ou religiosas. Toda pessoa é chamada por Deus a viver uma missão e a fazer da própria existência uma resposta de amor.

A celebração do Mês Vocacional foi instituída no Brasil em 1981, por iniciativa da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, a CNBB. Desde então, as dioceses, paróquias, santuários e comunidades são incentivados a intensificar as orações pelas vocações e a promover espaços de reflexão e discernimento vocacional.

Mais do que uma programação realizada apenas durante algumas semanas, o Mês Vocacional procura despertar uma verdadeira cultura vocacional, na qual crianças, jovens e adultos aprendam a perguntar: “Senhor, o que desejas de mim?”


Vocação é chamado e resposta

A palavra “vocação” vem do latim vocare, que significa “chamar”. Na compreensão cristã, vocação é o chamado amoroso que Deus dirige a cada pessoa, convidando-a a participar de seu projeto de salvação.

A iniciativa é sempre de Deus. É Ele quem chama, acompanha, capacita e envia. Ao ser humano cabe escutar, discernir e responder livremente.

Ao longo da Sagrada Escritura, encontramos diferentes histórias de pessoas chamadas pelo Senhor. Abraão deixou sua terra e partiu confiando na promessa de Deus. Moisés foi enviado para libertar o povo da escravidão. Jeremias, mesmo se considerando jovem e incapaz, foi escolhido como profeta. Maria acolheu a vontade divina e respondeu: “Eis aqui a serva do Senhor” (Lc 1,38). Os primeiros discípulos deixaram suas redes para seguir Jesus.

Essas histórias mostram que Deus chama pessoas concretas, com suas qualidades, limitações, dúvidas e esperanças. Ele não chama apenas aqueles que já estão preparados. Ao chamar, Deus também forma e sustenta aquele que responde.


O Batismo é a fonte de todas as vocações

Antes de se falar nas diferentes formas de vocação, é necessário recordar que existe um chamado comum a todos os cristãos: a vocação à santidade.

Por meio do Batismo, somos incorporados a Cristo, acolhidos na comunidade da Igreja e enviados para testemunhar o Evangelho. Por isso, toda vocação específica nasce da vocação batismal.

Ser santo não significa realizar feitos extraordinários ou afastar-se da vida cotidiana. A santidade consiste em viver unido a Deus, permitindo que o Evangelho transforme as escolhas, os relacionamentos, o trabalho, a família e o serviço à comunidade.

A vocação, portanto, não pode ser compreendida apenas como uma profissão, uma função ou uma preferência pessoal. Ela envolve toda a vida e nasce do encontro com Jesus Cristo.


Por que o mês de agosto foi escolhido?

A organização do Mês Vocacional está relacionada às celebrações e referências vocacionais presentes na vida da Igreja durante agosto.


No início do mês, a Igreja celebra a memória de São João Maria Vianney, em 4 de agosto. Conhecido como o Cura d’Ars, ele é considerado padroeiro dos padres, sendo uma referência de dedicação ao ministério sacerdotal, à oração e ao cuidado pastoral.

No segundo domingo de agosto, a sociedade brasileira também celebra o Dia dos Pais, favorecendo a reflexão sobre a vocação matrimonial, familiar e a missão dos pais na educação humana e cristã dos filhos.

Ao longo do mês, a Igreja distribui as reflexões vocacionais entre os domingos, contemplando diferentes estados de vida e formas de serviço.


As vocações recordadas a cada domingo

Tradicionalmente, cada domingo de agosto é dedicado a uma vocação específica.

Primeiro domingo: vocação dos ministros ordenados

No primeiro domingo, a Igreja reza pelos diáconos, padres e bispos. Pelo Sacramento da Ordem, esses homens são chamados a servir o povo de Deus por meio do anúncio da Palavra, da celebração dos sacramentos, da caridade e do cuidado pastoral.

O ministério ordenado não deve ser compreendido como posição de prestígio ou poder, mas como entrega e serviço. O próprio Cristo afirmou que veio “não para ser servido, mas para servir” (Mc 10,45).

Segundo domingo: vocação matrimonial e familiar

No segundo domingo, a Igreja recorda a vocação ao Matrimônio e à vida familiar. Os esposos cristãos são chamados a viver uma aliança de amor, fidelidade, respeito e abertura à vida.

A família é também considerada a primeira escola da fé e um ambiente fundamental para o despertar das vocações. É no convívio familiar que muitas pessoas aprendem a rezar, a amar, a servir e a escutar a voz de Deus.

Terceiro domingo: vocação à vida consagrada

No terceiro domingo, a reflexão se volta para os religiosos, religiosas e demais pessoas que assumem uma forma de vida consagrada.

Por meio dos conselhos evangélicos de pobreza, castidade e obediência, essas pessoas procuram seguir Cristo de maneira particular, colocando-se a serviço da Igreja e da humanidade.

A vida consagrada pode ser vivida em comunidades contemplativas, instituições apostólicas, sociedades de vida apostólica, institutos seculares e outras formas reconhecidas pela Igreja. Em todas elas, existe o desejo de testemunhar que Deus é o centro da vida.

Quarto domingo: vocação dos cristãos leigos e leigas

No quarto domingo, a Igreja celebra a vocação dos leigos e leigas. Por meio do Batismo, eles são chamados a testemunhar Jesus Cristo no coração do mundo.

A missão dos leigos acontece especialmente na família, no trabalho, na escola, na política, na cultura, na comunicação, na economia e nas diversas realidades da sociedade.

O leigo não é apenas alguém que auxilia nas atividades internas da comunidade. Sua vocação própria é levar os valores do Evangelho aos ambientes onde vive e atua, contribuindo para a construção de uma sociedade mais justa, fraterna e solidária.

Quinto domingo: vocação dos catequistas

Quando o mês de agosto possui um quinto domingo, a Igreja recorda especialmente a vocação dos catequistas.

Os catequistas são homens e mulheres chamados a anunciar a Palavra, transmitir a fé da Igreja e acompanhar crianças, jovens e adultos em seu processo de encontro e amadurecimento em Jesus Cristo.

Mais do que transmitir conteúdos, o catequista é chamado a ser testemunha. Sua vida, suas atitudes e sua relação com a comunidade fazem parte da missão catequética.

Essa organização dos domingos ajuda as comunidades a reconhecerem a riqueza e a diversidade das vocações existentes na Igreja.


Todas as vocações estão a serviço da missão

As diferentes vocações não competem entre si. Elas se complementam e colaboram para a edificação da Igreja e para o anúncio do Reino de Deus.

O apóstolo Paulo compara a comunidade cristã a um corpo formado por muitos membros. Cada parte possui uma função, mas todas são necessárias e pertencem ao mesmo corpo:

“Há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. Há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo” (1Cor 12,4-5).

Essa passagem ajuda a compreender que nenhuma vocação existe apenas para a realização individual. Deus chama cada pessoa para que sua vida produza frutos e seja

colocada a serviço dos irmãos.

O matrimônio, a família, o ministério ordenado, a vida consagrada, a missão dos leigos e o serviço dos catequistas são diferentes maneiras de responder ao mesmo Deus, que chama todos à comunhão, à santidade e à missão.


Um mês para rezar e despertar vocações

Durante agosto, as comunidades são convidadas a rezar por aqueles que já responderam ao chamado de Deus e por aqueles que ainda estão em processo de discernimento.

Essa oração encontra fundamento nas palavras de Jesus:

“A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi, pois, ao Senhor da messe que envie trabalhadores para a sua messe” (Mt 9,37-38).

Rezar pelas vocações não significa pedir apenas o surgimento de novos padres ou religiosos. Significa pedir que cada batizado descubra sua missão e tenha coragem para vivê-la com fidelidade.

O Mês Vocacional também deve incentivar o diálogo sobre vocação dentro das famílias, dos grupos de jovens, da catequese, das pastorais e dos movimentos. A comunidade cristã precisa ser um espaço onde as pessoas encontrem acolhimento, acompanhamento e liberdade para discernir.

A vocação não pode ser imposta. Ela precisa ser apresentada, acompanhada e discernida. O chamado de Deus floresce com maior facilidade onde existem comunidades vivas, famílias que rezam e testemunhos coerentes de fé.


Como reconhecer o chamado de Deus?

O discernimento vocacional geralmente não acontece de maneira imediata. Trata-se de um caminho que exige oração, amadurecimento, acompanhamento e abertura à vontade de Deus.

Entre os elementos importantes para esse processo estão a escuta da Palavra de Deus, a participação na Eucaristia, a vida de oração, a Confissão, o serviço aos irmãos, a convivência comunitária e o acompanhamento espiritual.

Também é necessário aprender a silenciar. Em uma sociedade marcada pela pressa, pelo excesso de informações e por tantas distrações, escutar a voz de Deus pode se tornar um grande desafio.

A experiência do profeta Samuel mostra a importância dessa disponibilidade. Quando compreendeu que era o Senhor quem o chamava, ele respondeu:

“Fala, Senhor, que teu servo escuta” (1Sm 3,10).

Essa deve ser a atitude de todo cristão: colocar-se diante de Deus com sinceridade e perguntar qual missão Ele deseja confiar.


Uma responsabilidade de toda a comunidade

A promoção vocacional não é responsabilidade exclusiva dos seminários, dos conventos ou das equipes vocacionais. Toda a comunidade cristã é responsável por criar condições para que os chamados de Deus sejam escutados e acolhidos.

Os pais colaboram quando educam os filhos na fé e respeitam suas escolhas. Os catequistas ajudam quando apresentam a vida cristã como resposta e missão. Os sacerdotes e consagrados promovem vocações quando vivem seu chamado com alegria, coerência e proximidade. Os jovens se ajudam mutuamente quando criam espaços de oração, amizade e serviço.

Segundo a proposta da CNBB, agosto é uma oportunidade para agradecer pelas vocações já assumidas e preparar o terreno onde novas respostas possam nascer.


“Eis-me aqui, envia-me”

Celebrar o Mês Vocacional é recordar que ninguém veio ao mundo por acaso. Cada vida possui valor, dignidade e uma missão diante de Deus.

A pergunta vocacional não deve ser apenas: “O que quero fazer da minha vida?”, mas também: “Senhor, o que desejas realizar por meio de mim?”

Diante do chamado de Deus, somos convidados a repetir as palavras do profeta Isaías:

“Eis-me aqui, envia-me” (Is 6,8).

Que o Mês Vocacional ajude nossas famílias e comunidades a se tornarem lugares de escuta, oração e acompanhamento. Que os jovens não tenham medo de oferecer suas vidas ao Senhor e que todos os batizados reconheçam a beleza de sua própria vocação.

Sob a intercessão da Virgem Maria, mulher da escuta e do “sim”, peçamos que o Espírito Santo fortaleça os chamados, sustente aqueles que já responderam e desperte novas vocações para a Igreja e para o mundo.


Senhor da messe e Pastor do rebanho, faz ressoar em nossos ouvidos o teu forte e suave convite: “Vem e segue-me”. Dá-nos coragem para responder com generosidade e fazer da nossa vida um serviço de amor.

 
 
 

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A Igreja Senhor dos Passos surgiu da iniciativa do coronel Felipe Ferreira de Cerqueira, que obteve uma permissão do Arcebispo de São Salvador da Bahia para construir, ao lado da sua residência, uma capela e um cemitério, cujo padroeiro seria Senhor dos Passos.

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